Na maior parte, vou tentar comentar e indicar filmes que estejam um pouco fora do circuito comum, pra trazer algumas novas e diferentes opções. E como gosto de filmes antigos também, alguns vão aparecer.
Lógico que nem sempre as opiniões valerão para todos... cada um realmente tem gosto e interesse diferentes!
Vossos comentários e opiniões serão bem vindos!

Um forte abraço e um aperto de mão leve...

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terça-feira, 13 de novembro de 2012

ARGO - 2012

Suspense/Espionagem para agradar todos, sem exceção.


Poucos associam Ben Affleck aos bastidores do cinema, até pelos inúmeros filmes blockbusters em que esteve presente como ator. Para citar alguns, de cabeça lembro Armageddon, Pearl Harbor, Demolidor, A Soma de Todos os Medos, entre outros. Sem dúvida, grandes produções para grandes públicos, mas nada muito especial ou marcante. Porém, após sua co-autoria junto à Matt Damon em Genio Indomável, que rendeu para eles o Oscar de Melhor Roteiro, foi um pulo para chegar na direção. E como diretor, Ben Affleck está ficando ainda melhor.

Em seu primeiro filme como diretor, Medo da Verdade, já havia mostrado talento, mas agora com Argo, seu potencial foi além. O filme é quase impecável e capaz de entreter ao mesmo tempo em que se aprofunda em seus temas. Potencialmente é um filme para agradar a todos os públicos, sem exceção. Do mais exigente ao menos, pode acreditar.

A história, baseada em fatos reais, se passa no fim dos anos 70 e tem como pano de fundo a invasão dos iranianos na embaixada americana de seu país. Um grupo grande de revolucionários, revoltados com o governo americano, invadem e mantém como reféns os funcionários da embaixada, menos seis pessoas que conseguem escapar e se esconder na embaixada canadense. Em momento político muito delicado entre os EUA e o Irã, a CIA, através do agente Tony Mendez (Ben Affleck), bola um plano de resgate destes seis americanos, completamente diferente e questionável. Este plano envolve uma produção hollywoodiana de um falso filme de ficção científica chamado Argo com locações no Irã. Essa é a saída para entrar no Irã e cumprir a missão.

Com inúmeros pontos fortes, o filme tem alguns bem evidentes. A ambientação e fotografia do final dos anos 70 impressiona bastante, inclusive com a caracterização dos personagens que se aproximam bem aos verdadeiros, visto na comparação nos créditos finais. O estilo retrô é perfeito.

O roteiro é inteligente e bem cuidado. A dramatização do fato real, que pode ser além da conta em alguns momentos, conta a favor também. Não me lembro de ter ficado tão tenso com uma cena de apresentação de passaportes e vistos, em um aeroporto, como fiquei neste filme. E não somente neste momento, a tensão toma conta de 90% da história.


E independente de nossa expectativa e até torcida pelo resgate dos americanos, a história não defende um dos lados ou mostra quem está certo e quem está errado, mas tem o cuidado de expor as atitudes extremas e a causa, visto na própria introdução do filme. E ainda de quebra, o diretor satiriza a indústria do cinema, principalmente Hollywood, ironicamente em boas doses. Além do filme ser essencialmente um suspense político de espionagem, tem boas piadas também.

Enfim, Argo teve estréia nos cinemas neste último final de semana e vale a procura, não só como uma boa apresentação  de um fato histórico, mesmo que dramatizado, mas também como entretenimento dos bons. Há rumores de que será lembrado para o próximo Oscar. Eu apostaria em uma indicação para direção de arte, pelo menos. Recomendado.


quinta-feira, 30 de agosto de 2012

KILL LIST - 2011

Boa e estranha pedida do cinema independente inglês.


Ao estilo "ame ou odeie", pelo que percebi, este filme ao menos gerou repercussão em alguns festivais que participou entre críticos e público, gostando ou não. É um filme independente britânico, de baixo orçamento, com um elenco quase desconhecido e um diretor praticamente estreante. Confesso que minha expectativa inicial não era das melhores, principalmente porque o nome também não ajuda. Porém, a surpresa é que não é um simples filme de ação, como o nome pode sugerir.

A história é a seguinte: Jay é o protagonista que está desempregado há 8 meses e tem um relacionamento conturbado com sua esposa. Ele também é uma espécie de matador de aluguel nas horas vagas.  Surge para ele uma nova oportunidade no mercado "paralelo" e aceita, acompanhado de seu melhor amigo. Este trabalho é um plano para assassinar 3 pessoas e chama-se Kill List. O problema é que Jay é um pouco descontrolado e este plano poderá tomar outros rumos.

Até aí, nada de muito novo, mas a história não é tão simples quanto parece. Os momentos mais violentos, típicos de filmes de ação e bem filmados por sinal, junto com personagens perturbados, serão revirados quando o horror psicológico tomar conta do filme. Soa estranho essa mistura, mas funciona bem aqui.

O elenco quase desconhecido convence bem, mas a força maior fica com a direção e o roteiro que são, no mínimo, ousados. Com câmera de mão usada em boa parte das cenas, que não nega o estilo low budget, a narrativa incomum, que mistura gêneros e pode até não ser das mais agradáveis, é provocativa e interpretativa. Claramente o filme quer confundir o público e gerar debate e discussões aos mais empolgados. E para completar a experiência, os 10 ou 15 minutos finais são de tirar o fôlego.


Não é sempre que saímos de um filme com uma confusão na cabeça, no melhor sentido. Na verdade, tenho vontade de revê-lo, assim que possível, para matar aquela sensação de que várias mensagens durante o filme explicam melhor seu final, ou talvez ter uma interpretação alternativa, ou até descobrir mesmo que não é necessário interpretação nenhuma...

De qualquer forma, provavelmente, a intenção do diretor não é tornar essa tarefa fácil. Portanto, quem se interessar, verá um filme diferente com certeza, mesmo não gostando. Recomendo.



quarta-feira, 6 de junho de 2012

O HOMEM DE PALHA - 1973

Sem dúvida, um filme B de muito respeito.


É bom redescobrir alguns filmes antigos e ver que mesmo depois de muitas décadas, continuam bem recomendáveis. Este é o caso do O Homem de Palha de 1973 que revi nestes últimos dias. Como escrevi acima, é um filme B de respeito. Um exemplo de uma boa e ousada execução com baixo orçamento.

Para quem conhece o astro de terror Christopher Lee, presente em inúmeras produções da Hammer - produtora britânica de incontáveis filmes de horror com Vincent Price e Peter Cushing também - poderia encarar O Homem de Palha como mais um filme com o estilo tradicional da produtora, porém quem ainda não viu, terá certamente uma surpresa, se fizer esta comparação prévia. Até porque a produtora é outra, mas confunde muitos até hoje.

Falando um pouco sobre a história, o personagem principal, Sargento Howie, recebe uma carta que menciona o desaparecimento de uma menina em uma ilha escocesa bem afastada e pequena chamada Summerisle. O que poderia ser uma investigação simples, se torna um choque cultural para o Sargento quando ele começa a conhecer os habitantes desta ilha. Aparentemente normais no início, levam uma vida liberal, em diversos sentidos, e completamente oposta ao Sargento, um católico fervoroso. Ao ter contato, através de sua investigação, com os primeiros moradores, em pouco tempo o Sargento conhece o responsável por este diferente modo de viver dos habitantes, Lord Summerisle (Christopher Lee).

Por mais que esteja classificado como horror, este filme é muito mais do que um típico exemplo do gênero. Há elementos que podem tranquilamente confundir quem o assiste. A história é na verdade, essencialmente, um suspense psicológico. Traz certa dramaticidade e ainda, por mais estranho que possa parecer, também é musical. Isso mesmo, musical! Na verdade, o que conta é sua atmosfera sombria que perturba e perturbará muita gente que ainda não teve a oportunidade de ver, mesmo que o filme não tenha praticamente uma cena com sangue. Não à toa, chegou ao status de cult e descobri que figura entre os 100 melhores filmes britânicos já realizados, segundo o British Film Institute (BFI).

O roteiro inteligente e bem estruturado de Anthony Schaffer, que havia escrito um ano antes o ótimo Trama Macabra com Michael Caine, é um exemplo de uma história bem contada. Lentamente se revela e traz uma sensação frequente de que algo ruim poderá acontecer a qualquer momento. E não decepciona.

Os diálogos travados pelas duas figuras opostas principais são muito curiosos. E os personagens bem construídos trazem mais do que simples discussões culturais ou até religiosas... Seus comportamentos são estranhamente envolventes. A parte musical é um caso à parte e chega até a divertir em certos momentos, em outros pode até assustar. E também vale mencionar a bela ambientação interiorana escocesa que ajuda a criar o falso clima amigável dos moradores da ilha.


Um curiosidade: Christopher Lee considera sua interpretação neste filme a mais importante de toda sua carreira, segundo o documentário The Wicker Man Enigma, presente inclusive nos extras do DVD. Curioso também é que ele aceitou fazer o personagem sem custo algum para a produção, por acreditar no potencial do filme. E teve razão.

Talvez valha a pena evitar a refilmagem realizada em 2006 com Nicolas Cage no papel principal. Confesso que não assisti, mas além de ter sido muito criticada, basta apenas ver o trailer e ler a sinopse para realmente evitá-la. As mudanças na história e nos personagens são incompreensíveis. E vale novamente dizer que o ator principal é... Nicolas Cage.

Enfim, mesmo assistindo hoje depois de diversas décadas de seu lançamento, este filme ainda impressiona e merece a repercussão que teve, além também do culto por sua legião de fãs.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

O HOMEM ERRADO - 1956

Hitchcock muda de gênero e também acerta. 


Não está entre as realizações mais famosas ou assistidas de Hitchcock, mas este O Homem Errado é um grande filme e merecia um destaque maior. O fato de ser o único filme baseado em fatos reais do diretor, talvez possa explicar um pouco seu menor valor entre seus apreciadores. Hitchcock, neste filme, foge de seu gênero preferido, o suspense, e faz um drama, literalmente. Pode ser diferente de grande parte de sua filmografia, mas o resultado final está no alto nível de outros clássicos que já fez.

A década em que realizou este filme foi uma década inspirada para o diretor, repleta de filmes marcantes como Janela Indiscreta, Pacto Sinistro, Ladrão de Casaca, Um Corpo Que Cai, a refilmagem de O Homem Que Sabia Demais, Intriga Internacional, Disque M Para Matar e ainda outros mais... Enfim, certamente uma década de grandes sucessos que fizeram com que este O Homem Errado, passasse um pouco despercebido por não seguir a mesma linha dos filmes citados acima.

A história como escrevi antes, é verídica e mostra o músico Manny, interpretado por Henry Fonda, que leva uma vida normal trabalhando à noite para sustentar seus dois filhos e esposa. Com dificuldades financeiras, suas contas aumentam quando sua esposa necessita realizar uma cirurgia odontológica. Para ajudar a pagar este gasto, recorre ao seguro de vida dela para conseguir um empréstimo. Quando chega ao local, para obter este empréstimo, é acusado de ser um assaltante que vem praticando roubos no bairro. A partir daí, sua vida e a de seus familiares mudam.

Diferente das tramas comuns de suspense, em que o ator principal busca o verdadeiro culpado, quando acusado de algo que não cometeu, o foco deste filme se direciona à mudança de rotina de Manny e como isso afetará as pessoas à sua volta. O filme deve muito de seu bom resultado final à atuação de Henry Fonda, um astro na época, que faz um trabalho impecável. Impressiona a forma como ele se mantém em um estado de choque contínuo e praticamente não sorri durante todo o filme.

Com Hitchcock em grande fase, falar bem da direção neste filme é o tal chover no molhado. Mesmo sendo um drama, não faltam momentos tensos bem encaixados a sua trilha sonora característica, que ajuda a manter esta tensão. É a realização cinematográfica mais realista que já fez, não só por ser baseado em fatos reais, mas pelas características e atitudes dos personagens. Posso dizer isso pelo menos em relação aos vários filmes que já vi do diretor.

Não faz parte dos mais lembrados filmes do mestre do suspense, mas é um filme essencial para os fãs e uma boa pedida para quem gosta de cinema antigo. Recomendado!

http://www.imdb.com/title/tt0051207  

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

SHERLOCK HOLMES - GAME OF SHADOWS - 2011

A sequência supera o original de várias formas.


Quando saí do cinema, ao ver o primeiro Sherlock Holmes dirigido pelo Guy Ritchie, diretor que marcou merecidamente o cinema de ação com Snatch - Porcos e Diamantes e Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes, pensava ter visto um bom filme deste gênero e me dei por satisfeito. Deixei um pouco de lado o fato de que este detetive fez fama por resolver seus casos quase sempre com sua percepção aguçada, ao invés do uso de força. Assim acompanhamos nos livros de Sir Arthur Conan Doyle.

Vamos combinar que nesta sequência, as cenas de ação, impecáveis por sinal, não faltam e voltam a dar o ritmo alucinante do primeiro, graças ao mesmo diretor. E mesmo que Holmes use muito de seu intelecto distinto, em boa parte do filme, acaba resolvendo a outra parte exageradamente na porrada mesmo. Isso chega a frustrar um pouco quem realmente aprecia o personagem. Então, se considero o Holmes dos livros bem mais interessante, porque estou recomendando este filme? OK, vamos lá... Em primeiro lugar, a história nesta sequência é bem melhor elaborada do que a primeira e as ligações com os personagens do autor são mais significativas. Em segundo lugar, temos a presença poderosa de um verdadeiro vilão, Profº Moriarty, que rouba as cenas em que aparece. Somente a presença dele, o único personagem capaz de rivalizar intelectualmente com Holmes, já gera uma enorme tensão em cada encontro entre eles. Muitos dos diálogos são memoráveis.

Sobre a história do filme, vale uma passada breve apenas para situar quem for assisti-lo. O famoso detetive Sherlock Holmes, junto ao seu parceiro Dr Watson que está prestes a se casar, descobre um plano engenhoso, elaborado pelo Profº Moriarty, que tem como base iniciar nada menos do que uma guerra mundial.

Desde garoto gostava de histórias de mistério e li a maioria dos contos de Sherlock Holmes. Escrevo contos porque o autor, Conan Doyle, não escrevia longas histórias com o detetive, apenas em algumas exceções. Acompanhei mais pra frente, nos anos 90, a série inglesa que adaptou quase todas suas histórias e, recentemente, venho acompanhando também uma nova série da BBC chamada Sherlock, que recomendo, pois é de altíssima qualidade. Nessa nova série, o detetive e o Dr Watson vivem na Londres atual, com celular, internet, blogs, twitter, facebook... Isso já não gera uma certa curiosidade para assistir?

Com relação aos dois filmes do Guy Ritchie, o primeiro e este, um dos pontos mais interessantes de Holmes, que é sua habilidade em decifrar pessoas em segundos, é deixada de lado. O famoso personagem usa mais sua sabedoria para descobrir saídas ou antecipar movimentos de um oponente, confesso que essa parte é bem interessante e inédita nos livros, mas, ainda assim, a parte intelectual deveria ser mais explorada em geral. Apesar disso, o filme tem muitas qualidades. A história é muito bem construída e, quem leu o conto chamado "O Problema Final", notará algumas semelhanças, principalmente no final. Aliás, o desfecho é um dos pontos altos do filme, até porque deixa de lado um pouco a ação e dá preferência ao jogo mental entre os dois oponentes.

Não dá para negar a qualidade das cenas de ação em câmera lenta, marca do diretor, que são visualmente espetaculares e a ambientação européia do final do século 19. Vale também mencionar por fim o ator que interpreta Moriarty, Jared Harris, Sua atuação é espetacular e rouba mesmo todas as cenas que duela com Holmes, em minha opinião. Infelizmente, não foi tão comentada como deveria.

Bom, só para concluir, talvez valha mais encarar o personagem do filme com outros olhos em relação ao dos livros. Desta forma, você verá um entretenimento de primeira. Ainda está sendo exibido em grande circuito e tem potencial para agradar os mais e os menos exigentes!



quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O ESPIÃO QUE SABIA DEMAIS - 2011

Diretor promissor, grande elenco, boa trama... Não tem erro.


Confesso que estava com certa expectativa antes de entrar na pré-estréia desse filme. Não tinha como ser de outra forma. Em primeiro lugar, é dirigido pelo sueco Tomas Alfredson, que virou, merecidamente, uma espécie de sensação do cinema europeu atual depois de realizar Deixe Ela Entrar, uma pequena obra-prima que mistura drama e terror em grande estilo. Além da curiosidade por este novo trabalho do diretor, o filme tem o melhor elenco inglês atual reunido dos últimos tempos. A notícia boa é que a expectativa foi superada e o filme merece mesmo a repercussão que está conseguindo.

É bom alertar antes, que o nome O Espião Que Sabia Demais serve para enganar o público, como normalmente acontece. O nome original do filme é Tinker Taylor Soldier Spy, bem apropriado ao conteúdo da história. Pior ainda é a propaganda dele na televisão, que mais parece um trailer do novo Missão Impossível. Na verdade, é a velha estratégia de comunicação manjada para atrair mais a atenção do público e, consequentemente, trazer maior rentabilidade. Só espero que, quem for ao cinema esperando um suspense com ação, não fique insatisfeito... A proposta é outra.

A história acontece no auge da Guerra Fria e mostra os bastidores do Serviço Secreto de Inteligência Britânico. Gary Oldman, o protagonista George Smiley, é o encarregado de descobrir a identidade de um possível traidor que está fornecendo informações sigilosas para algum agente secreto russo. Os suspeitos fazem parte do alto escalão dos agentes ingleses, chamado também de The Circus, do qual inclusive Smiley fazia parte até se aposentar recentemente contra sua vontade.

O filme é baseado no romance de John Le Carré, que inclusive participa do filme como produtor executivo, e faz parte de uma trilogia escrita por ele sobre o serviço secreto inglês. Inclusive o livro em que se baseia este filme, já teve uma adaptação anterior que virou uma minissérie no final dos anos 70. Le Carré também teve outros romances adaptados com sucesso para o cinema como O Jardineiro Fiel, dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles, e O Alfaiate do Panamá com Geoffrey Rush e Pierce Brosnan.

A nata do cinema inglês atual está presente neste filme. Colin Firth (O Discurso do Rei), Tom Hardy (A Origem), Mark Strong (Sherlock Holmes, Lanterna Verde), Benedict Cumberbatch (da excelente série Sherlock da BBC) são alguns exemplos, além de medalhões como o já citado Gary Oldman e também John Hurt. Se não bastasse o elenco de peso, que facilmente seguraria uma produção mediana, a direção também está na mesma altura. Alfredson nos apresenta os segredos, as mentiras e a difícil relação interna de um Serviço Secreto de uma forma elegante e calma que não se vê em filmes deste tipo. Há um clima de desconfiança geral do início ao fim. E com a trama se revelando lentamente, o diretor prioriza  diálogos inteligentes, ao invés de cenas de ação. É como imagino um departamento de espionagem real mesmo! A história inteligente e complexa pode até fazer você perder a linha de raciocínio e confundi-lo em partes, mas o lado bom é que não deixará você desgrudar os olhos da tela. A ambientação anos 60/70 é primorosa, a trilha sonora encaixa perfeitamente, os diálogos são marcantes  e a trama envolvente... São algumas das qualidades que, somadas a um elenco como esse, faz o filme ser especial.

Não foi lembrado para as premiações do Globo de Ouro, mas ainda é esperado indicações em algumas categorias do Oscar. Irá estrear nos cinemas neste final de semana, dia 20 de janeiro, e é altamente recomendado.

http://www.imdb.com/title/tt1340800


domingo, 20 de novembro de 2011

EL GATO DESAPARECE - 2011

A ligação entre gatos e os filmes de suspense!


Interessante suspense psicológico argentino que também esteve entre os participantes da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo neste ano. Tive uma sensação de que o filme fez uma mistura de algumas histórias de suspense e é notável seu estilo Hitchcock. Tem menos de uma hora e meia de filme, porém é o tempo suficiente para criar uma boa trama e prender sua atenção... e isso, o filme faz bem feito.
O filme conta sobre uma esposa que tenta voltar a vida normal de casal quando seu marido, um professor universitário, volta de uma clínica psiquiátrica. Um surto que misturou stress e ciúme o fez atacar seu melhor amigo e sequencialmente sua própria esposa. Ao retornar para casa, o professor, já equilibrado emocionalmente, reencontra, além de sua esposa, seu gato de estimação. Curiosamente, o gato não o reconhece e o ataca, assim que ele resolve brincar com o animal. A partir daí, "el gato desaparece".
É interessante notar que, o diretor leva o telespectador a desconfiar da sanidade do professor desde o início, mesmo que ele demonstre manias não tão incomuns assim... a trilha sonora ajuda nisso! Há uma ambiguidade que se mantém durante a história e a torna interessante de ser assistida. Esse é um dos pontos positivos do filme. Brincando com a sanidade ou insanidade do professor, o foco do filme está em sua esposa que demonstra dificuldade em lidar com seu retorno e lentamente sua desconfiança e medo aumentam,  principalmente, pelo estranho sumiço do gato. E pra completar a tensão, o clímax não decepciona.
Recomendo o filme, mas antes de terminar, vale mencionar como é curioso a relação dos gatos com os filmes de suspense. Não são poucos os que existem por aí! Os gatos parecem estar para os filmes de suspense da mesma forma que os cães estão para os infantis. Segundo minha esposa, cachorro serve pra filme de Hollywood e gato pra filme alternativo. Desconfiados e independentes por natureza, eles são um prato cheio para a imaginação criativa maligna das pessoas. E o gato preto é o que sofre mais porque dá até azar para os supersticiosos! Nada contra, até gosto de gatos, mas adivinhem qual a cor do gato neste filme?
http://www.imdb.com/title/tt1841584

terça-feira, 20 de setembro de 2011

12 HOMENS E UMA SENTENÇA - 1957

Um clássico, uma obra-prima.


Revi nestes dias este que é um grandioso clássico dos filmes sobre tribunais. Pra mim, o melhor que já vi neste assunto. É realmente uma verdadeira obra-prima! Muito mais que um julgamento sobre a inocência ou culpa de um réu, o filme é um entendimento sobre o comportamento humano e em como somos diferentes em diversos aspectos. O filme tem uma hora e meia e passa 99% dentro de uma sala. Mais um daqueles tipos de filme que poucos conseguiriam realizar pela dificuldade de prender a atenção do espectador apenas pelos diálogos.
Como disse antes, a história se passa em um mesmo cenário, uma sala onde 12 jurados deverão culpar ou inocentar um garoto pelo assassinato de seu pai. Todas as evidências, e não são poucas, direcionam para a morte do pai pelo rapaz, porém, um dos jurados não está completamente convencido e questiona se as provas são suficientes ou não para a condenação do acusado. A partir daí, inicia-se uma discussão longa entre eles que poderá mudar suas opiniões ou não. História perfeita para uma peça teatral.
Nesta premissa, aparentemente simples, o diretor Sidney Lumet desenvolve uma história complexa e profunda. Diferentemente dos filmes de tribunais comuns que focam em tramas para desvendar se o acusado cometeu o crime ou não, nesse filme, o foco está nos jurados, cujos personagens foram propositalmente desenvolvidos para mostrar seus comportamentos diferentes. É uma longa discussão que irá expor diferentes opiniões e convicções sobre preconceito, ética e moral mostrando a importância da democracia, visto que, a condenação pelo júri não acontece caso, pelo menos, uma pessoa tenha dúvida sobre a culpa. E fique tranquilo que esta discussão nunca se torna cansativa.
Além de ser um dos grandes filmes do cinema em geral, pra quem se interessa por estudos sobre o comportamento humano, é um prato cheio. Para os estudantes de direito é essencial... e pra quem gosta de cinema, é obrigatório!
http://www.imdb.com/title/tt0050083

quinta-feira, 7 de julho de 2011

ANTIBODIES - 2005

Filme Alemão sobre serial killers renova o gênero.


Filme alemão de suspense psicológico cujo nome original é Antikorper, nunca foi lançado aqui no Brasil, pelo menos até aonde eu sei. Aparentemente é o filme que levou o diretor Christian Alvart a realizar dois outros filmes de orçamentos bem maiores nos Estados Unidos, Caso 39 e Pandorum. Já havia assistido estes dois filmes neste ano mas, Antibodies é mais interessante que os dois juntos. Tem uma premissa que à princípio, lembra muito os filmes do Hannibal Lecter, mas no decorrer da história, veremos uma variação bem interessante.

A história começa com a captura de um procuradíssimo serial killer chamado Gabriel Engel. Esse assassino, acusado de matar brutalmente mais de 10 garotos, também é acusado pelos moradores de uma pequena cidade, pelo assassinato de uma menina... Mortes sempre realizadas com os bons e velhos requintes de crueldade! Aparece então o protagonista da história, o policial com estilo bom moço, Michael Martens, que irá interrogar Engel para descobrir a ligação dele com a menina. Começa então, um jogo psicológico do assassino com o policial, que poderá mexer com os instintos dele e sua fé... A chamada do filme"o mal é um vírus" dará o tom da história.

Filmes sobre serial killers já foram moda há pouco tempo atrás, a popularidade de Seven ajudou bastante na criação de vários, mas Antibodies tem diferenças que me fazem recomendá-lo. O interessante neste filme, é que o foco não está em desvendar a mente do criminoso ou tentar entender o porquê de suas atitudes. A ideia é  mostrar a influência dele sobre outras pessoas, no caso o policial Martens. Acompanhar o policial é que será a parte mais interessante do filme... Mesmo que a atuação do assassino também seja muito boa.

Obviamente, sem comparar com Psicose ou Silêncio dos Inocentes, Antibodies traz novidades para esse estilo de filme e também traz, como os outros citados, uma construção complexa de personagens, além de envolver até discussões religiosas. Os pontos altos e memoráveis do filme estão na abertura e na cena final... Cenas que impressionam e vão te deixar feliz por ter assistido. Recomendado!

http://www.imdb.com/title/tt0337573

quinta-feira, 30 de junho de 2011

SEM LIMITES - 2011

Quem não queria tomar uma pílula dessas?


Este é um filme que passou nos cinemas recentemente e já deve sair em DVD/Blu-ray nas próximas semanas. Procuro geralmente escrever sobre filmes menos conhecidos, mas, como a intenção é trazer boas opções para recomendar, esse merece a recomendação. O diretor do filme, Neil Burger, não é dos mais conhecidos, mas, já tem um bom filme realizado com o Edward Norton, O Ilusionista. E nesse Sem Limites, fez um filme melhor e muito interessante e já merece uma atenção maior em suas próximas realizações.
Mito ou não, fala-se muito que usamos de 10% a 30% do cérebro normalmente, e aí entra a questão proposta pelo filme... e se conseguíssemos usar 100%? Essa é a base da história, por sinal, interessantíssima. Um escritor chamado Eddie, que anda sem criatividade alguma e praticamente sem rumo, consegue um contrato com uma editora para escrever um livro, porém, não consegue nem começar. Pra piorar, sua namorada termina o relacionamento que tinham. Quase no fundo do poço, a solução aparece. Uma pílula de um determinado laboratório, ainda em fase de testes, é apresentada por um ex-cunhado, que encontra por acaso. Seus efeitos são fantásticos! A capacidade de memorização e entendimento chegam a níveis impressionantes e, para Eddie, o mundo se torna sem limites. Sua vida muda completamente à medida que passa de escritor para outras funções em pouco tempo. Todas as carreiras sendo alcançadas meteoricamente!  Porém, nem tudo é perfeito...
Como de costume, o melhor é não contar muito do que poderá acontecer para não estragar as surpresas. O que posso dizer é que o filme tem uma narrativa ágil, com acontecimentos que vão quase se atropelando, e prenderá sua atenção do início ao fim. O roteiro é muito bom, bem amarrado, lógico e não te faz de bobo, mesmo que ao final nem todas as respostas você terá. As ações e consequências que a droga trará para o Eddie são plausíveis e inteligentes. É interessante ver o caminho seguido por uma pessoa com uma capacidade intelectual sem fim... caminho que ele segue e que muitos fariam da mesma forma, se tivessem acesso a mesma pílula. O poder é realmente atraente.
É um daqueles filmes de ritmo forte e poderá trazer alguns pensamentos e questionamentos após seu final. Vale a pena!
http://www.imdb.com/title/tt1219289

terça-feira, 17 de maio de 2011

LOS OJOS DE JULIA - 2010

Cinema espanhol traz mais um bom suspense/terror.


Recentemente escrevi aqui sobre um bom suspense psicológico espanhol chamado El Habitante Incierto, dirigido pelo diretor Guillem Morales. Curiosamente, após alguns dias, descobri este que é o mais recente filme realizado por este mesmo diretor. Desta vez, seu filme tem por trás a produção de Guillermo Del Toro (Labirinto del Fauno) que, ao mesmo tempo que dá maior credibilidade, também aumenta a expectativa, porém, a boa notícia é que o resultado final não decepciona. E é bom saber que ainda temos opções interessantes para estes gêneros hoje em dia.
Antes de mais nada, a história do filme tem como base duas irmãs gêmeas, Julia e Sara, que possuem uma doença degenerativa que pode levar a cegueira total. Com essa base, vamos a primeira cena do filme, o suicídio de Sara. Por estar cega há um ano, a razão apontada para sua morte é a sua dificuldade em lidar com a deficiência. Acontece que, como as irmãs não se falavam há seis meses, Julia se sente em parte culpada por não ter dado a devida atenção para sua irmã e decide entender um pouco mais sobre o dia a dia de Sara nos últimos meses. Conhece alguns de seus vizinhos esquisitos, visita o centro de cegos que Sara frequentava e descobre um possível relacionamento dela com um homem que, estranhamente, ninguém consegue descrevê-lo. Ao mesmo tempo que começa a desconfiar que algo está errado, Julia também vivencia alguns acontecimentos estranhos.
Como disse antes, atualmente não é fácil encontrar um filme com uma trama de suspense e terror que te envolva e surpreenda, além do essencial para um filme deste tipo... trazer sustos criativos e convincentes! E nesses quesitos, o filme atende bem as expectativas. Mesmo que ao longo do filme você não veja grandes inovações, o interessante é que, diferentemente de seu filme anterior, El Habitante Incierto, quando o mesmo diretor preferiu confundir o espectador e não trazer respostas fáceis, em Los Ojos de Julia ele faz o contrário e facilita nosso trabalho para desvendar a trama. Isso mostra que o foco do filme é outro. Mesmo que previsível em algumas partes, o diretor mostra sua criatividade quando foca na perspectiva de Julia, tornando a filmagem mais escura e menos visível no desenrolar da trama... melhor parar por aqui para não estragar algumas surpresas.
Recomendado aos que gostam da mistura dos dois gêneros e não encontram com facilidade boas realizações atualmente.
http://www.imdb.com/title/tt1512685

quinta-feira, 14 de abril de 2011

EL HABITANTE INCIERTO - 2004

Suspense espanhol confunde e agrada!


Interessante filme espanhol de suspense psicológico que, além de trazer alguns sustos, tem um mistério curioso a ser desvendado. Também conhecido lá fora como The Uncertain Guest, nunca foi lançado aqui no Brasil, mesmo tendo sido realizado em 2004, fato que acontece, infelizmente, com boa frequência.
É uma pena porque é um filme, no mínimo, interessante por ser uma história de suspense que prende a atenção, ao mesmo tempo que procura confundir o espectador e não dar respostas fáceis. Essa confusão é boa porque o obriga a acompanhar os detalhes ao máximo e ainda poderá gerar diferentes interpretações no final. Confesso que entendi melhor o filme pensando e discutindo depois...
A história nos conta sobre um arquiteto, chamado Félix, que vive em uma casa enorme com sua namorada, noiva ou esposa, até que resolvem se separar. Morando sozinho nessa mansão, alguns acontecimentos estranhos começam a acontecer, principalmente, após deixar um estranho entrar em sua casa para usar seu telefone em uma emergência. Ao deixá-lo sozinho na sala, para fazer a ligação que precisa, o estranho some dentro da casa de Félix. O que acontece é que, com o passar dos dias, ele começa a se convencer de que o estranho está morando em sua própria casa, escondido em alguma parte dela. Paranóia ou não, a cada dia, seu medo e pânico aumentam, a medida em que ouve barulhos estranhos que o convencem de que o tal estranho está mesmo morando em sua casa.
Filme realmente interessante, porém, confuso, que não traz simples explicações e sim, possíveis interpretações para cada um que o assistir. Isso, pra mim, já valeria a procura pelo filme, principalmente por pensar, ao final, de que essas explicações estão, aparentemente, no filme... escrevo aparentemente porque, mesmo gerando discussões, a história pode trazer mais perguntas do que respostas.
No geral, é um suspense acima da média que vai ficar na sua cabeça até algumas fichas começarem a cair. Recomendo!
http://www.imdb.com/title/tt0436374

quinta-feira, 31 de março de 2011

MIDDLE MEN - 2009

Antes de A Rede Social tem este Middle Men...


Curiosamente, este filme foi realizado um ano antes de A Rede Social, porém, nunca chegou por aqui e também teve pouca repercussão lá fora. As semelhanças são até razoáveis. Ambos são baseados em fatos verídicos, até que provem o contrário, e têm como tema negócios bilionários inventados com o avanço da internet. Só que, enquanto A Rede Social conta sobre o nascimento do Facebook e suas brigas internas por reconhecimento e muito dinheiro, este Middle Men mostra quase os mesmos problemas, porém, como tema, o início da pornografia virtual...
A história é narrada por um empresário, especialista em resolver problemas alheios, chamado Jack Harris. Ele conta como conheceu os dois responsáveis pelo início da pornografia virtual como negócio e como se tornou tão rentável. A ideia destes dois foi a de criar um site pornográfico e cobrar o acesso dos usuários aos conteúdos. Sabemos hoje que este é um segmento muito lucrativo, porém, no filme, conhecemos os bastidores de seu início. Os dois "empresários" e novos ricos, até pela vida louca que levam e a total falta de experiência empresarial, se perdem nesse sucesso consumindo drogas excessivamente e cometendo erros graves como se envolver com a máfia russa. E, para tentar resolver os problemas e acalmar os ânimos, entra em cena Jack.
Middle Men entra em diversos gêneros, desde a comédia, passando por drama, suspense, ação, erótico e outros mais... à princípio, essa mistura até serviria para agradar diversos públicos. É claro que não é com essa fórmula que um filme poderia ser recomendado e sim, em como juntar isso e fazer algo interessante. E isso o filme faz bem.
Os diálogos são, sem dúvida, para mim, os pontos fortes do filme. São irônicos, sarcásticos, inteligentes e recheados de humor negro sem ser idiota. Outro ponto forte é o elenco que, mesmo com atores que não fazem parte do primeiro escalão americano, dão muito bem conta do recado e, talvez, até melhor do que se fosse o contrário. A câmera ágil e as cenas rápidas dão o tom da velocidade com que as negociações acontecem e ainda dá tempo para uma reflexão sobre os valores morais de um pai de família careta, o Jack, entrando no mundo da indústria pornográfica.
Não sei quando chega ao Brasil, deve chegar em DVD em algum momento, e recomendo uma conferida baixando nos torrents por aí!
http://www.imdb.com/title/tt1251757

quinta-feira, 24 de março de 2011

FESTIM DIABÓLICO - 1948

Relembrar um clássico absoluto do suspense!


É sempre bom recordar alguns clássicos... esse aqui então, nem se fala! Revi "Rope" (nome original) na última semana e é, sem dúvida, um filme marcante. Certamente, está entre os meus 10 mais. Pra quem gosta de Hitchcock, este é obrigatório. Pra quem nunca assistiu e gosta de cinema, veja!
Além de uma boa trama de suspense, o filme é como uma peça teatral, utilizando apenas um cenário e pouquíssimas tomadas. Suas mudanças são quase imperceptíveis, gerando uma sensação de que é filmado de uma só vez. É genial! Se não bastasse este desafio para o diretor, a história e os personagens também são ótimos e completam muito bem esta obra-prima do cinema.
O filme já começa em um apartamento onde dois amigos de colégio matam um outro amigo pelo simples fato de o considerarem intelectualmente inferior. Como se julgam muito mais inteligentes que os outros, cometem um crime que pensam ser perfeito e decidem provar sua superioridade. Escondem o corpo dentro de um baú que utilizarão como mesa para uma festa para alguns amigos e até familiares da própria vítima.
Esse é o básico da história, pra não estragar as surpresas e descobertas. O que é importante dizer é que, o filme vai muito além de saber quem são os assassinos, como acontece na maioria das histórias de crimes, até porque, nesse, já sabemos quem são na primeira cena. Entre as novidades e experiências do filme, uma é que este é o primeiro filme que Hitchcock fez em cores e a outra é que a filmagem é em tempo real, usando apenas um cenário. Uma das partes mais interessantes do filme é notar a mudança de comportamento dos personagens ao longo da história. Não deixa de ser uma boa análise do comportamento humano.
Impressionante como mais de 60 anos depois, o filme continua sendo um ótimo entretenimento e uma experiência cinematográfica sensacional. Junto com Psicose, são os meus filmes preferidos do diretor. Recomendadíssimo!
http://www.imdb.com/title/tt0040746/

quinta-feira, 17 de março de 2011

THE TROLL HUNTER - 2010

Filme norueguês mistura gêneros e surpreende!


Aí sim um filme inesperado vindo diretamente da Noruega! Assisti nestes dias e estava curioso pra saber o que ia dar essa história, no mínimo diferente, até por estarmos mais acostumados a ver dramas pesados vindos da Europa, principalmente, do leste e dos países nórdicos. Participou de alguns festivais por lá e teve uma boa e favorável repercussão.

Filmado como um falso documentário, a princípio, não parece uma grande novidade, mas sua realização está bem acima da média. Há uma boa mistura de terror e suspense com humor implícito. Em vários momentos o filme parece uma sátira, mas não cai na comédia em nenhuma parte.

A história conta sobre um grupo de universitários que irá fazer uma reportagem e, de certa forma, investigar algumas mortes misteriosas de ursos que estão ocorrendo nas florestas norueguesas. Com algumas informações coletadas, tentam se aproximar de um possível matador de ursos e acompanhar as suas caçadas. Só que descobrem que ele não é um caçador de ursos e sim, um caçador de Trolls! São umas criaturas folclóricas, mitológicas e mais comuns, pelo que li, nos contos noruegueses... Uma espécie de duendes gigantes misturados com gnomos. No filme, o aparecimento destas criaturas pelas florestas vem sendo disfarçado pelo governo, por intermédio deste caçador e uma equipe especializada. O filme brinca com o folclore dos noruegueses que, com certeza, até pelo fato dos Trolls serem parte de seus contos desde crianças, devem se identificar muito mais com a sátira do que nós.

Este falso documentário se torna bastante realista pela ótima atuação dos atores envolvidos, que ajudam a tornar o filme muito mais interessante. A câmera de mão ágil, que em nenhum momento deixa de passar a impressão de que tudo é real, também é um ponto alto. Algumas cenas chegam realmente a impressionar!

Esperem por um bom entretenimento sem a pretensão de ser um filme cabeça e sim, uma boa e diferente diversão, muito bem realizada e com efeitos especiais dificilmente vistos no cinema independente europeu.

Bem difícil de ser lançado por aqui tão cedo, a saída é baixá-lo pela internet, quem quiser se aventurar nessa ideia...

http://www.imdb.com/title/tt1740707

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

CIDADE DOS SONHOS - 2001

Pra quem já viu, reveja mais e mais vezes!


Nem passava pela minha cabeça escrever sobre esse filme, até por ter sido, durante estes 10 últimos anos, extremamente explorado por críticos e espectadores em geral. O que mais poderia escrever que já não tenha sido escrito? Nada de novo. Somente lembrar a existência dele. E nem tenho a intenção de dizer que desvendei os enigmas do filme. O que acontece é que revi o filme neste último final de semana, pela quarta vez, e, por incrível que pareça, a cada vez que o vejo, fico mais impressionado. Pra mim, sem dúvida, é uma das mais importantes realizações do cinema nesta década, ou na passada, se preferir, até porque já estamos em 2011. Alguns podem concordar, mas, muitos outros certamente discordarão. Talvez o interesse maior que eu tenha pelo filme seja porque filmes subjetivos, polêmicos e sem respostas fáceis me agradam e muito.
Aqueles que não apreciam o filme, talvez não tenham a paciência de tentar ir mais a fundo e brincar com possíveis interpretações, sem medo de viajar completamente. E, como acontece na maioria dos filmes de David Lynch, o espectador nunca sai satisfeito no final do filme... ou porque não entendeu, ou porque sabe que de alguma forma, por mais estranho que pareça, aquilo tem um significado. E quando descobrir que muito disso fez sentido, o prazer será ainda maior!
Pra quem ainda não viu, o filme pode gerar algum desconforto pelas cenas estranhas e pela narrativa não linear e confusa. No básico do filme, a personagem de Naomi Watts vive uma aspirante a atriz, recém-chegada a Hollywood, com o sonho de ser uma celebridade. Ao chegar na cidade, ela encontra uma mulher que acabara de sofrer um acidente de carro e, a partir daí, começa a se envolver em situações surreais. Homens de uma espécie de máfia do cinema, um assassino profissional desajeitado, um cowboy, um mendigo, só pra citar a mistura de personagens que aparecerá. E qual a ligação deles com a protagonista? O que é real? O que não é? Sem estragar mais a história, para quem não viu ainda, o bacana será tentar ligar os pontos no final, mesmo que alguns destes pontos não vão ligar mesmo!
Sinceramente, já li diversas interpretações do filme e tenho as minhas próprias na cabeça. Mas, confesso que muitas coisas ainda geram dúvidas... aliás, é o que mais interessa no cinema de Lynch, pois, ele mesmo adora gerar essas dúvidas. No livro dele "Águas Profundas", entre vários comentários sobre meditação e cinema, ele comenta sobre a caixa e a chave, talvez os dois objetos mais enigmáticos do filme. O interessante é que ele, segundo suas próprias palavras, diz que não faz ideia do que representam estes objetos. Ou seja, são interpretativos, porém, ele não tem interesse em deixar claro o que significam.
Enfim, só para concluir, pra quem já viu o filme uma ou duas vezes, veja de novo... tenho certeza que será ainda melhor! Sempre vai haver espaço para novas descobertas.
Um filme fascinante!
http://www.imdb.com/title/tt0166924

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

127 HORAS - 2010

E você acha que já passou por maus momentos...


Ainda inédito aqui, este é o novo filme do Danny Boyle, talvez mais conhecido pelo Quem Quer Ser Um Milionário. Poucos se lembram que sua fama começou com dois ótimos filmes alternativos, Cova Rasa e Transpotting, e, devido ao seu talento, trabalha hoje com orçamentos bem maiores. E após o já citado e bem sucedido Quem Quer Ser um Milionário, lançou este 127 Horas que já concorreu em algumas categorias do Globo de Ouro e agora também tem indicações ao Oscar. E o filme é bom mesmo!
A história é simples e objetiva, porém, desesperadora! É uma história verídica sobre um alpinista, chamado Aron Ralston, que possui uma certa experiência, apesar de jovem, e costuma se aventurar sozinho escalando e descendo montanhas e canyons. Seu destino desta vez é o Blue John Canyon, só que, ao se aproximar do local, uma fatalidade acontece e ele fica preso... aí então iniciam-se suas 127 horas de luta contra o tempo.
O filme foca no protagonista e em como ele poderá prolongar suas horas de vida que parecem estar contadas. Já dá pra imaginar que dirigir um filme como esse não é pra qualquer um. Não deve ser fácil prender a atenção do público com um argumento tão simples. E ele consegue. E muito além disso, faz um filme marcante. Mantém a tensão até o fim enquanto alterna entre a sanidade e a insanidade de Aron, o que ajuda na composição do personagem. E esses momentos de horror e loucura de Aron, traz a ele uma espécie de redenção. As horas, que agora sobram para que ele repense em suas atitudes, serão importantes para que sua vida tenha um novo sentido, no caso dele sobreviver...
Algumas cenas podem até chocar um pouco, mas, nada que você não tenha visto pior em diversos outros filmes. E, além da belíssima fotografia, não se pode deixar de mencionar a excelente atuação do James Franco como protagonista... sem dúvida, é o seu melhor papel, até porque, na minha opinião, é a primeira vez que realmente se destaca em um filme de grande porte, mesmo tendo trabalhado em alguns outros filmes blockbusters. Sua atuação representa o filme e ele dá muito bem conta do recado.
Enfim, o filme está concorrendo ao Oscar em algumas categorias, está estreiando nos cinemas brasileiros e é uma ótima opção.
http://www.imdb.com/title/tt1542344

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

CISNE NEGRO - 2010

Aronofsky acerta mais uma vez e em cheio!


Que filme! Isso é o que você dirá quando subir os créditos finais...
Da nova safra de diretores, sem dúvida, Aronofsky está entre os melhores. Sua filmografia não tem filme mediano! Sempre acima da média. Pi, Requiem para um Sonho (esse é marcante), Fonte da Vida e O Lutador... e agora este Cisne Negro que, inclusive, já teve indicações para o Globo de Ouro e está bem cotado para indicações ao Oscar também. Indicação de melhor atriz para Natalie Portman é certeza! Uma das melhores atuações que vi nos últimos tempos.
Pra começar, seria interessante classificar o filme como uma mistura de drama e suspense psicológico, visto que algumas cenas certamente irão assustar. Na história, Natalie Portman é uma bailarina extremamente profissional que consegue o papel principal no famoso "Lago dos Cisnes". Nesta peça, ela representará dois papéis, o cisne branco e o cisne negro. Ela interpreta perfeitamente o cisne branco, porém, o cisne negro, que representa o lado do mal, ela ainda está longe da perfeição. E como ela é uma bailarina muito técnica, porém, extremamente reservada e tímida, ela precisará urgentemente de uma mudança pessoal radical pra conseguir interpretar o lado negro. E esta busca pela perfeição poderá e mexerá com sua sanidade. Este é o básico da história pra você descobrir o resto sozinho.
Se em O Lutador, Aronofsky conta uma história pós-fama de um lutador de luta-livre decadente, em o Cisne Negro faz o contrário, mostra a ascensão de uma bailarina em busca do reconhecimento. Ambos focam em relacionamentos familiares, mas, as semelhanças param por aí. O Cisne Negro é sombrio e perturbador mostrando uma relação mãe e filha que beira a loucura.
E além de uma história belíssima sobre conflitos internos e externos, o que falar sobre a realização do diretor? Tudo se encaixa... a trilha sonora, a atuação perfeita do elenco, a movimentação da câmera que segue a protagonista e o crescimento da trama, ora dramática, ora assustadora, levam o filme a um patamar muito acima, colocando-o, sem dúvida, entre os melhores de 2010.
http://www.imdb.com/title/tt0947798

terça-feira, 30 de novembro de 2010

LA HABITACIÓN DE FERMAT - 2007

Um jogo entre matemáticos para entreter.


Este é um filme espanhol que já havia assistido há algum tempo, mas, como vi uma reportagem sobre ele esses dias, resolvi postá-lo por achar que poderá agradar. Participou de diversos festivais europeus de cinema fantástico como o Fantasporto e Sitges, concorrendo e ganhando alguns prêmios. A notícia ruim é que não foi lançado no Brasil ainda e nem sei se será, então, o que nos resta, obviamente, é procurar e baixar na net.
Tem uma premissa bem interessante e a sua realização não compromete o resultado no geral, tornando-o um bom filme.
Na história, 4 gênios da matemática são convidados por uma pessoa misteriosa para resolver um complicadíssimo enigma em uma espécie de jogo. Atraídos pelo desafio, eles topam participar e são enviados para um lugar isolado. Neste lugar, eles são colocados em uma sala estranhamente confortável onde inicia-se a tensão do filme... na medida em que o tempo passa, a sala vai encolhendo e o enigma precisa ser resolvido. Ou seja, estes sábios da matemática devem resolvê-lo antes que seja tarde demais! Seus egos e divergências pessoais vão atrapalhar.
Apesar de lembrar em muitos momentos o ótimo filme Cubo (os pequenos espaços, a claustrofobia, a matemática e etc...), é um suspense que traz uma trama inteligente e um roteiro bem montado que vale a indicação.
Longe de ser perfeito ou sensacional, certamente, agrada como um bom entretenimento.
http://www.imdb.com/title/tt1016301

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

UMA VIDA, TALVEZ DUAS - 2010

Se existe destino, o que o comanda? Escolhas ou o acaso?


Due Vite Per Caso... esse é o nome original deste filme italiano que assisti ontem na Mostra Internacional de São Paulo. Não é dos mais badalados ou procurados no evento, mas, é um filme bem interessante que vale conferir. Não sei se sairá nos cinemas tão cedo após a Mostra, então, fica a sugestão pra quem procura assistir filmes por lá.
Sempre me interesso por histórias que mostram diferentes perspectivas de uma pessoa ou diferentes personagens que se encontram de alguma forma... como Corra Lola Corra ou até a ficção que já havia comentado aqui, Mr Nobody.
Uma Vida, Talvez Duas se baseia em dois destinos diferentes de uma mesma pessoa, chamada Matteo. Em um determinado momento de sua vida, um acontecimento vai trazer dois rumos paralelos com diferentes consequências. Em um primeiro momento, Matteo se envolve, junto com seu amigo, em um acidente com dois policiais. Dirigindo seu carro, ao levar seu amigo para um hospital, ele não consegue frear e bate na traseira de uma viatura. A partir daí, sua vida toma um determinado rumo. Mas, o que aconteceria se ele conseguisse frear a tempo de não bater seu carro? As consequências seriam tão diferentes? Aí cabe a quem estiver interessado em assistir o filme descobrir. Acho que aprofundar a história prejudicaria as surpresas que o filme pode trazer.
O que é possível perceber sobre o filme é que o diretor não se importa em levantar questões morais sobre qual caminho é o certo... e é isso que torna o filme ainda mais interessante. Qualquer caminho a ser seguido, os altos e baixos estarão lá. E isso é bem real!
http://www.imdb.com/title/tt1141306